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segunda-feira, 12 de março de 2012

epílogo

o que doeu não foi descobrir que as mesmas palavras dedicadas a mim era repetidas instantes depois a outras: foi eu ter dito coisa inéditas a você que se mostrou tempos depois repetitivo e monótono.
hoje eu sei que as migalhas do pão do qual me alimentava e que faziam minha felicidade por dias, existe em abundância em alguém que me sacia por inteira, me faz vibrar não somente onde um homem atinge uma mulher mas me instiga a querer mais da vida e das coisas.
espero que sua doença ao poucos diminua, sua impotência diante de uma mulher faça enxergar que mesmo que (ache que) saiba supri-las onde necessitem, as que buscam em você o que não tem em seu cotidiano, continuam com falta, pois você é meio: meia satisfação e total frustração.
que bom, eu penso, não termos evoluído. Encerremos esse capítulo então com você na vidraça da vida, e eu com  a taça cheia e um sorriso de satisfação diante da saciedade de um Outro sorriso, que me completa e deixa-me exausta: e não faltante.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

enquanto durou

foi bom, podes crer. cada momento, cada risada em uma praia paradisíaca, cercado de sol, calor e alegria.
a tua alegria juvenil contrastando com os teus olhos cansados de tanta coisa que ja viram, mas que eu percebia que brilhavam ao encontro dos meus..
cada beijo fugidio, cada navegar em águas onde os barcos se movimentavam sem pressa, e meu cabelo grudava em tua boca.
foram tantas palavras ditas que ambos sabíamos ser fantasia nos momentos em que éramos dois em um pequeno universo borbulhante e cheio de cores e sons que criávamos pra nós, que agora nem sei o que foi real.
na tentativa de acreditar em teu amor, ainda quero me convencer que era verdade quando dizias:
- você foi o melhor que me aconteceu, até hoje.
    

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Detalhes

Tanto tempo... tantas coisas se perderam.
Eles inclusive.
Mas o rosto dele é estranhamente igual.
E parece tentar lembrar certas coisas que ela gostava tanto nele.
Coisas que só ele sabia que ela gostava.
É um detalhe que aos outros passa desapercebido, e muitas vezes soa até engraçado.
Mas ela sabe. Era 'seu sinal'.
Era algo que ela amava nele, e ele um dia fez questão de deixar assim
Como uma marca
De que apesar de toda distância, e todos embaraços
Ele pensava nela.
Ela hoje olha os mesmos detalhes na imagem que ele faz questão de mostrar e pensa:
Será que ele pensa em mim?

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu sei

Eu sei que preciso esquecer
Eu sei que preciso embarcar no próximo trem no próximo avião
Em qualquer lugar eu sei que poderia estar.
Na verdade eu não sei, eu finjo que não conheço a verdade
Implacável, indesejável, inevitável:
Eu preciso aprender a ir embora, eu perdi.
E nada que faça vai mudar as coisas que são por assim serem.
Eu que pensei que ia ser fácil seguir em frente bater a porta
Como das outras vezes, e agora me vejo diante da parede
Sem saber se volto, se fico no mesmo lugar
Ou se corro, ou se morro, de saudade
de vontade, de sede,
Da falta que você me faz.